Mais um pouco desta série.
Ambos, Blanche e Malema, são expoentes de duas fases da história sul-africana, fases marcadas por uma extrema racialização do social.
Mas antes de prosseguir, permitam-me deixar-vos algumas breves linhas sobre três fenómenos de categorização: racismo, etnicismo e xenofobismo.
No racismo actua-se por marcadores físicos elementares - é a racialização do social; no etnicismo, por marcadores simbólicos (língua, "costumes", anterioridade de chegada a um território, heróis epónimos) da comunidade imaginada de origem - é a etnicização da identidade; no xenofobismo, por marcadores simbólicos alargados ou globais da comunidade imaginada - é a nacionalização extrema do social. No primeiro caso temos a visibilidade somática, no segundo a visibilidade das pequenas raízes originárias e, no terceiro, a visibilidade agrupada das grandes raízes originárias. É racista quem defende a superioridade sócio-genética de um grupo; é etnicista quem defende a superioridade da sua comunidade imaginada de origem; é xenófobo quem defende a preeminência e a supremacia de uma nação. Nos três casos está em jogo a luta pelo monopólio dos recursos de poder em função de marcadores: pigmentação no primeiro caso, pequena comunidade imaginada no segundo, grande comunidade no terceiro. Racismo, etnicismo e xenofobismo são exercícios sociais de inclusão/exclusão sociais que, interiorizados e assumidos, funcionam como os semáforos (o verde para os nossos, o vermelho para os outros). Todavia, não podemos colocar fronteiras absolutas entre os três fenómenos. O xenofobismo, por exemplo, pode surgir vestido de etnicismo ou de racismo. A permeabilidade é, muitas vezes, imediata, as fronteiras são fictícias e porosas.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
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